O Grande Dia
Essa coisa de ser pai pela primeira vez eu definiria como algo pela metade, isto é: meio estranho, meio complicado, meio diferente, meio apavorante... mas é muito legal, pura emoção
Se a gente para pra pensar, alguém carregar outra pessoa dentro dela é algo muito estranho que nós, homens jamais entenderemos, mas ao mesmo tempo é algo que se curte aos poucos, como saborear um bom vinho, gole a gole.
Os primeiros oito meses são cheios de etapas. A mulher passa por enjôos, azias, insônias, momentos de alternância emocional fantásticos, etc...
Mas o emocionante mesmo é o ultimo mês, lá pelas semanas 36, 37, 38...
Parece que você entra num plantão permanente, sempre alerta, qualquer gemidinha diferente, contração ou suspiro você já fica pensando: será que é agora??
A Mada costuma dizer que os oito primeiros meses passam rápido, mas que o ultimo mês leva nove meses pra passar, pura verdade.
A Mada estava disposta a fazer um parto normal, não entendo bem disto, mas sei que normal é normal, daí quem manda é a mãe natureza, e como tal, tudo pode acontecer a qualquer instante, e era isto que mais me agoniava.
Um dia perguntei como ela saberia que estava na hora. Ela me disse que a bolsa estoura e que teríamos algumas horas pra chegar no hospital...
Bom lá no hospital nos já havíamos feito o treinamento, mas confesso que não me lembrava de mais nada, só sabia que se fosse de dia nos entraríamos pela internação normal e a noite pela emergência.
Mas a entrada pela emergência subentendia que seria a noite e não tava afim que fosse a noite, se bem que a minha opinião não valia nada. Nas ultimas noites estavam extremamente frias, daí sair da cama quentinha, colocar roupa, pegar tudo e sair correndo pro hospital era uma idéia que não me agradava.
Nesta historia toda o que mais me incomodava era a tal da bolsa que não tenho a mínima idéia do que seja. O que sei, foi o que a Mada me explicou e que não quero entrar em detalhes, todavia ficava imaginando todo aquele liquido vazando da Mada e o que é pior, se acontece na madrugada em cima da cama. A idéia me atormentava.
Um dia sugeri que ela dormisse de fralda na ultima semana, vocês sabem aquelas fraldas geriátricas bem grandonas. Pois é eu sugeri preocupado com o colchão, afinal de contas seria só a noite na cama, ninguém iria saber, mas prefiro não comentar a resposta dela, deixa assim.
Bom, mas como todos meus temores eram somente temores, tudo aconteceu quando e como deveria acontecer.
Foi numa quinta feira dia 16 de Julho o dia que jamais esquecerei, o grande dia!!!!
A Mada foi fazer uma consulta de rotina na Dra. Ana Lucia. Era uma quinta feira. Ela havia feito exames na segunda feira, e segundo o médico estava tudo ótimo. Descobri depois que quando se trata de gravidez o tudo bem hoje não é a mesma coisa amanha.
A Mada se queixou que nos últimos dias a Tete andava muito calminha. As mães mais experientes diziam pra nos que isto antecedia o nascimento do bebe. Estavam certas, mas a razão era preocupante.
A Ana Lucia mandou a Mada pro hospital Moinhos fazer outra ecografia pra ver como estava a Tete.
O medico que atendeu a Mada disse que estava bem, mas a Mada achava estranho a Tete andar tão quietinha, as mães sempre sabem das coisas.
Na realidade a Tete já estava com um tal de sofrimento fetal (seja lá o que for isto), e a medica já havia decidido que faria cesariana naquele dia mesmo.
Foi um dia meio confuso, a mãe da Mada, a vó Alini, estava vindo de Santa Maria e chegaria por volta das 17:30, justamente no pior horário de transito do dia.
A Mada havia me dito que após os exames iria pegar sua mãe na rodoviária e eu que estava na empresa trabalhando, fiquei aguardando uma ligação.
Já eram 17:30 e a Mada não ligava, e eu tentava ligar e o celular pra variar, dava sempre fora de área.
Só pra vocês saberem, dentro do centro obstétrico do hospital, os celulares não funcionam, só pra ajudar...
O tempo passava e a agonia aumentava, eu estava cheio de serviço ainda na empresa, e não sabia exatamente o que fazer, só esperava, pior não tinha nem o fone da sogra pra poder ir buscá-la.
As 18:30 o celular tocou, era a Mada. Disse ela: “ amor vem pra cá que vou fazer uma cesaria agora as 20:00. Sentia a voz dela muito agoniada, mas nosso dialogo continuou e procurei tranqüiliza-la, daí perguntei: “e a tua mãe esta aonde, não tenho o fone dela”, a Mada respondeu: “te passo o numero mas já pedi pra Miriam ( a madrinha da Tete) ir buscar ela, pois ela me disse que esta perto da Rodoviária”, e continuou ela: “vai pra casa pega a malinha com as roupas dela e as minha e vem pra cá.” Ta amor vou pra casa e assim que puder chego ai, conclui.
Eram 18:30 quando eu e o Charles saímos da empresa em Esteio, e pra vocês terem uma idéia do transito, para andar os 7 km da empresa ate minha casa levamos quase ½ hora. Comecei pensar que chegaria depois da Tete nascer.
A angustia aumentava, mas também pensava que a Mada e a Tete estavam em boas mãos e que a minha presença era simplesmente simbólica.
Chegamos em casa e comecei a catar tudo que conseguia me lembrar. A Mada me liga de novo e manda pegar varias coisas as quais pensava eu já estarem na malinha da Tete.
Tomo um banho mais do que correndo e saímos para o hospital. Apesar da hora do pique, o transito andava, ainda que lentamente. Chegamos no hospital quase 20:00 h e fui logo correndo para o centro obstétrico.
Cheguei lá e encontrei a Mada meio apreensiva com a situação, afinal de contas ela queria um parto normal e iria fazer uma cesariana as pressas.
Procurei tranqüilizá-la novamente pois tinha convicção que tudo iria acontecer bem. A Mada seguiu para a sala de parto e eu fui trocar de roupa.
Gente, lá no vestiário criei a teoria do porque que os bebes choram. A roupa que dão para o pai vestir é algo de ridículo, se eu fosse um bebezinho e visse meu pai tão mal vestido também botava a boca no mundo. A roupa é muito ridícula.
Entrei na sala de parto tava a Mada, já mais calma (aparentemente), deitada com braços abertos tipo Jesus Cristo na cruz, com uma cortina dividindo ela ao meio e do outro lado da cortina a Tete estava a caminho.
Fiquei ali sentadinho ouvindo as piadinhas sem graça da equipe medica sobre o pai, que nesta hora é o bobo da corte.
Eu não estava nem ansioso nem nervoso, confiava que a equipe era competente para o que estavam fazendo, e eu ficava ali sentado do lado da Mada atrás da cortina.
De repente escutei: ela ta vindo. Daí não me segurei, levantei e fui ver o que estava acontecendo do outro lado da cortininha.
Gente, que emoção, vi a minha filhinha saindo de dentro da mãe dela (que diga-se de passagem não é tão bonitinha por dentro como é por fora...hehe). Momento mágico!!!
No dia 16 de Junho de 2009, as 20:37 h no hospital moinhos de ventos em Porto Alegre, capital de todos os gaúchos, república federativa do Brasil, nasce esse anjo da minha vida, Maite Weber Ratz, minha Tete.
Neste momento abandonei a mãe e me fui atrás da filha, pois a Mada sempre ameaçava dizendo que eles trocavam os bebes bonitinhos pelos feios, daí era pra eu grudar na Tete, então me fui atrás, apesar que achava que aquela historia de trocar bebes era só uma aplicada que a Mada tava me dando pra eu não perder a Tete de vista, coisas de mãe.
Gente, quem olha as fotos agora entende, a Tete é linda, minha filhinha. Lembro de cada instante daí em diante e poderia escrever minuto a minuto vivido neste dia desde o momento do nascimento dela ate a hora que levei a Tete pra primeira mamada. Algo mágico.
A Tete respondia a minha voz toda vez que eu falava com ela, e família reunida do outro lado do vidro da maternidade estava muito alegre também.
Pra mim o momento marcante foi ver minha filhinha segurando meu dedo, imagem que registrei em foto, é algo emocionante. Ate na hora que ela levou aquelas DUAS injeções enormes de grande, uma em cada perninha dela, ela chorou um pouquinho e logo que conversei com ela, ela parou e se acalmou, juro pra vocês que as agulhas doeram muito mais em mim que nela.
Foi a grande noite mágica de nossas vidas e hoje aqui escrevendo me emociono relembrando cada instante daquela noite. Olho pra ela e penso a grande felicidade que ela trouxe pra mim e pra Mada aqui em casa.
Davi Coimbra escreveu sobre seu filhinho também dizendo que é algo estranho o amor que se sente pelo filho, pois eles não tem nada a nos dar, em compensação o amor que temos por eles é algo imensurável, e que é pago a todo instante com o menor ato ou sorriso de nossos filhos, assino em baixo.
Essa coisa de ser pai pela primeira vez eu definiria como algo pela metade, isto é: meio estranho, meio complicado, meio diferente, meio apavorante... mas é muito legal, pura emoção
Se a gente para pra pensar, alguém carregar outra pessoa dentro dela é algo muito estranho que nós, homens jamais entenderemos, mas ao mesmo tempo é algo que se curte aos poucos, como saborear um bom vinho, gole a gole.
Os primeiros oito meses são cheios de etapas. A mulher passa por enjôos, azias, insônias, momentos de alternância emocional fantásticos, etc...
Mas o emocionante mesmo é o ultimo mês, lá pelas semanas 36, 37, 38...
Parece que você entra num plantão permanente, sempre alerta, qualquer gemidinha diferente, contração ou suspiro você já fica pensando: será que é agora??
A Mada costuma dizer que os oito primeiros meses passam rápido, mas que o ultimo mês leva nove meses pra passar, pura verdade.
A Mada estava disposta a fazer um parto normal, não entendo bem disto, mas sei que normal é normal, daí quem manda é a mãe natureza, e como tal, tudo pode acontecer a qualquer instante, e era isto que mais me agoniava.
Um dia perguntei como ela saberia que estava na hora. Ela me disse que a bolsa estoura e que teríamos algumas horas pra chegar no hospital...
Bom lá no hospital nos já havíamos feito o treinamento, mas confesso que não me lembrava de mais nada, só sabia que se fosse de dia nos entraríamos pela internação normal e a noite pela emergência.
Mas a entrada pela emergência subentendia que seria a noite e não tava afim que fosse a noite, se bem que a minha opinião não valia nada. Nas ultimas noites estavam extremamente frias, daí sair da cama quentinha, colocar roupa, pegar tudo e sair correndo pro hospital era uma idéia que não me agradava.
Nesta historia toda o que mais me incomodava era a tal da bolsa que não tenho a mínima idéia do que seja. O que sei, foi o que a Mada me explicou e que não quero entrar em detalhes, todavia ficava imaginando todo aquele liquido vazando da Mada e o que é pior, se acontece na madrugada em cima da cama. A idéia me atormentava.
Um dia sugeri que ela dormisse de fralda na ultima semana, vocês sabem aquelas fraldas geriátricas bem grandonas. Pois é eu sugeri preocupado com o colchão, afinal de contas seria só a noite na cama, ninguém iria saber, mas prefiro não comentar a resposta dela, deixa assim.
Bom, mas como todos meus temores eram somente temores, tudo aconteceu quando e como deveria acontecer.
Foi numa quinta feira dia 16 de Julho o dia que jamais esquecerei, o grande dia!!!!
A Mada foi fazer uma consulta de rotina na Dra. Ana Lucia. Era uma quinta feira. Ela havia feito exames na segunda feira, e segundo o médico estava tudo ótimo. Descobri depois que quando se trata de gravidez o tudo bem hoje não é a mesma coisa amanha.
A Mada se queixou que nos últimos dias a Tete andava muito calminha. As mães mais experientes diziam pra nos que isto antecedia o nascimento do bebe. Estavam certas, mas a razão era preocupante.
A Ana Lucia mandou a Mada pro hospital Moinhos fazer outra ecografia pra ver como estava a Tete.
O medico que atendeu a Mada disse que estava bem, mas a Mada achava estranho a Tete andar tão quietinha, as mães sempre sabem das coisas.
Na realidade a Tete já estava com um tal de sofrimento fetal (seja lá o que for isto), e a medica já havia decidido que faria cesariana naquele dia mesmo.
Foi um dia meio confuso, a mãe da Mada, a vó Alini, estava vindo de Santa Maria e chegaria por volta das 17:30, justamente no pior horário de transito do dia.
A Mada havia me dito que após os exames iria pegar sua mãe na rodoviária e eu que estava na empresa trabalhando, fiquei aguardando uma ligação.
Já eram 17:30 e a Mada não ligava, e eu tentava ligar e o celular pra variar, dava sempre fora de área.
Só pra vocês saberem, dentro do centro obstétrico do hospital, os celulares não funcionam, só pra ajudar...
O tempo passava e a agonia aumentava, eu estava cheio de serviço ainda na empresa, e não sabia exatamente o que fazer, só esperava, pior não tinha nem o fone da sogra pra poder ir buscá-la.
As 18:30 o celular tocou, era a Mada. Disse ela: “ amor vem pra cá que vou fazer uma cesaria agora as 20:00. Sentia a voz dela muito agoniada, mas nosso dialogo continuou e procurei tranqüiliza-la, daí perguntei: “e a tua mãe esta aonde, não tenho o fone dela”, a Mada respondeu: “te passo o numero mas já pedi pra Miriam ( a madrinha da Tete) ir buscar ela, pois ela me disse que esta perto da Rodoviária”, e continuou ela: “vai pra casa pega a malinha com as roupas dela e as minha e vem pra cá.” Ta amor vou pra casa e assim que puder chego ai, conclui.
Eram 18:30 quando eu e o Charles saímos da empresa em Esteio, e pra vocês terem uma idéia do transito, para andar os 7 km da empresa ate minha casa levamos quase ½ hora. Comecei pensar que chegaria depois da Tete nascer.
A angustia aumentava, mas também pensava que a Mada e a Tete estavam em boas mãos e que a minha presença era simplesmente simbólica.
Chegamos em casa e comecei a catar tudo que conseguia me lembrar. A Mada me liga de novo e manda pegar varias coisas as quais pensava eu já estarem na malinha da Tete.
Tomo um banho mais do que correndo e saímos para o hospital. Apesar da hora do pique, o transito andava, ainda que lentamente. Chegamos no hospital quase 20:00 h e fui logo correndo para o centro obstétrico.
Cheguei lá e encontrei a Mada meio apreensiva com a situação, afinal de contas ela queria um parto normal e iria fazer uma cesariana as pressas.
Procurei tranqüilizá-la novamente pois tinha convicção que tudo iria acontecer bem. A Mada seguiu para a sala de parto e eu fui trocar de roupa.
Gente, lá no vestiário criei a teoria do porque que os bebes choram. A roupa que dão para o pai vestir é algo de ridículo, se eu fosse um bebezinho e visse meu pai tão mal vestido também botava a boca no mundo. A roupa é muito ridícula.
Entrei na sala de parto tava a Mada, já mais calma (aparentemente), deitada com braços abertos tipo Jesus Cristo na cruz, com uma cortina dividindo ela ao meio e do outro lado da cortina a Tete estava a caminho.
Fiquei ali sentadinho ouvindo as piadinhas sem graça da equipe medica sobre o pai, que nesta hora é o bobo da corte.
Eu não estava nem ansioso nem nervoso, confiava que a equipe era competente para o que estavam fazendo, e eu ficava ali sentado do lado da Mada atrás da cortina.
De repente escutei: ela ta vindo. Daí não me segurei, levantei e fui ver o que estava acontecendo do outro lado da cortininha.
Gente, que emoção, vi a minha filhinha saindo de dentro da mãe dela (que diga-se de passagem não é tão bonitinha por dentro como é por fora...hehe). Momento mágico!!!
No dia 16 de Junho de 2009, as 20:37 h no hospital moinhos de ventos em Porto Alegre, capital de todos os gaúchos, república federativa do Brasil, nasce esse anjo da minha vida, Maite Weber Ratz, minha Tete.
Neste momento abandonei a mãe e me fui atrás da filha, pois a Mada sempre ameaçava dizendo que eles trocavam os bebes bonitinhos pelos feios, daí era pra eu grudar na Tete, então me fui atrás, apesar que achava que aquela historia de trocar bebes era só uma aplicada que a Mada tava me dando pra eu não perder a Tete de vista, coisas de mãe.
Gente, quem olha as fotos agora entende, a Tete é linda, minha filhinha. Lembro de cada instante daí em diante e poderia escrever minuto a minuto vivido neste dia desde o momento do nascimento dela ate a hora que levei a Tete pra primeira mamada. Algo mágico.
A Tete respondia a minha voz toda vez que eu falava com ela, e família reunida do outro lado do vidro da maternidade estava muito alegre também.
Pra mim o momento marcante foi ver minha filhinha segurando meu dedo, imagem que registrei em foto, é algo emocionante. Ate na hora que ela levou aquelas DUAS injeções enormes de grande, uma em cada perninha dela, ela chorou um pouquinho e logo que conversei com ela, ela parou e se acalmou, juro pra vocês que as agulhas doeram muito mais em mim que nela.
Foi a grande noite mágica de nossas vidas e hoje aqui escrevendo me emociono relembrando cada instante daquela noite. Olho pra ela e penso a grande felicidade que ela trouxe pra mim e pra Mada aqui em casa.
Davi Coimbra escreveu sobre seu filhinho também dizendo que é algo estranho o amor que se sente pelo filho, pois eles não tem nada a nos dar, em compensação o amor que temos por eles é algo imensurável, e que é pago a todo instante com o menor ato ou sorriso de nossos filhos, assino em baixo.
Te amo Filha
papai Leandro




nossa muito lindo Leandro!!!
ResponderExcluirEmocionante, como ja havia dito adoro ler o que tu escreve...
A tia Liz ta aqui mandando bj pra vcs Mada, e tudo de + maravilhoso que tiver nesse mundo...
A descrição é linda, emocionante e engraçada...
bjusss adoro vcs!!!!